JB Xavier

Uma viagem ao mundo mágico das artes!  A journey into the magical world of  the arts!

Textos


A SENTINELA DO NADA

JB Xavier

 

Vacilante, encaro o nevoeiro do caminho

Onde paisagens diluídas

Filtram-se entre a luz baça

Vinda de um céu sem cor

Que se recusa a se pôr...

O dia recusa-se a morrer,

Alongando os sonhos

Que insistem em permanecer alertas,

Olhando o que consideram ser

Portas abertas...

Um caminho sem cores

Se dispersa entre árvores que se dissolvem

E rios que se dissipam...

E nessa paisagem que sustém a existência,

Entre o dia que acaba

E a noite que desce,

Encontro-me eu

Despido de mim,

Respirando uma realidade suspeita.

Pulsando em meu peito,

Uma saudade indefinida

Por algo que ainda não perdi...

E respiro essa verdade rarefeita

Que me atinge como realidade deformada,

Que candidamente ao meu lado se deita,

Mantendo-me alerta,

Qual sentinela do nada...

E vou marcando minha passagem

com pegadas vacilantes

Na areia do caminho,

Que vão também se diluindo,

Qual vozes a se perderem num passado

Que vai desaparecendo nos círculos

Da superfície desse lago da imaginação...

Mas é apenas o coração meu,

Que não sabe

O que ainda não perdeu...

Então, o sublime canto

De um tristonho passarinho

Afaga o que um dia

Foi o meu primeiro sonho:

Percorrer essa estrada

Sem jamais sequer ousar imaginar

Que um dia ela me levaria

Neste devaneio,

Por um passeio,

Diluindo-me em direção ao nada...

JB Xavier
Enviado por JB Xavier em 01/11/2026
Alterado em 01/11/2026


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